Primeira instituição brasileira de pesquisa aplicada à agropecuária criada por produtores rurais.
Orgulha-se por ter sido uma das pioneiras no desenvolvimento do sistema de plantio direto no país, permitindo aos produtores associados um desenvolvimento sustentável de suas atividades no campo. Através de uma visão estratégica dos dirigentes das cooperativas mantenedoras em 23 de outubro de 1984, foi criado a fundação ABC para assistência e divulgação técnica agropecuária.
Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda.
Fundada em 01 de março de 1954.
A característica de atuação do grupo ABC, foi marcada pela presença de uma assistência técnica, pecuária e agrícola, da maior qualidade, para atender à demanda necessária, visto a pobreza dos solos existentes na região, chamada de Campos Gerais.
A parte pecuária teve grande desenvolvimento em termos qualitativos, sendo considerada uma das excelências em bacias leiteiras no Brasil.
O Setor agrícola teve seus reveses, em razão da baixa qualidade dos solos em termos de fertilidade e sua exposição à erosão.
A agricultura utilizada no Brasil como um todo, até a década de 70, era baseada no sistema tradicional, com preparo convencional dos solos com aração, gradagens, fogo nas palhadas, etc.
Portanto, uma exploração com reflexos danosos na sustentabilidade da produção e do meio ambiente.
O trabalho então desenvolvido, tornou-se uma devoção por parte de alguns produtores, que instituíram o chamado Clube da Minhoca. Isto porque, sem o fogo, a aração e as gradagens, o sistema de plantio direto tornava-se presente nas grandes lavouras, representando a volta da fertilidade. Além disso, a erosão, problema maior, estava sendo controlada. Entretanto, assim como problemas eram resolvidos, outros apareciam e necessitavam soluções, para serem ajustados à nova tecnologia que estava sendo desenvolvida.
Eram eles:
- a utilização de novos equipamentos de plantio;
- o controle de ervas daninhas;
- a necessidade de rotação de culturas;
- nova sistemática de análise econômica;
As respostas a essas demandas não eram facilmente obtidas junto à rede oficial de pesquisa.
Os resultados obtidos pelos produtores da região começavam a ser alvo de observação de produtores de outras regiões do Estado e do próprio país.
Em 1981, realizou-se o I Encontro Nacional de Plantio Direto, que reuniu mais de 600 produtores interessados no novo sistema.
Em 1983, repetiu-se o evento, com o cuidado de mudar seu objetivo. Nesta ocasião, havia um interesse peculiar da iniciativa pública, a ponto de ser instituído um Contrato de Cooperação Técnica, envolvendo a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - a EMBRAPA, com o objetivo de promover, desenvolver e divulgar o Sistema de Plantio Direto no Brasil.
Como primeiro ato, foi instituída uma publicação - o Jornal do Plantio Direto -, que tinha como participantes a Cooperativa Central, a EMBRAPA, o IAPAR e a EMATER-PR.
Foi editado durante 5 anos, tendo como público alvo o produtor brasileiro, interessado na nova tecnologia.
A carência de respostas da pesquisa e a urgência de resultados, fizeram com que os produtores do grupo ABC, reunidos numa Comissão Agrícola Central, responsável pelo programas de trabalhos que estavam em execução, determinar estudos para a criação de uma instituição, de caráter particular e sem fins lucrativos, que desse amparo tecnológico e sequência aos trabalhos, atendendo às demandas e para suporte de programas agrícolas em desenvolvimento
Esta iniciativa obteve total apoio da direção das Cooperativas ABC e da própria Central de Laticínios do Paraná, tornando-se realidade em 23 de outubro de 1984, quando oficialmente foi instituída a Fundação ABC para Assistência e Divulgação Técnica Agropecuária, com uma série ampla de objetivos, citados em seus estatutos.
Então, seguiu-se uma série de ações, das quais pode-se citar o "III Encontro Nacional de Plantio Direto", em 1985, a realização do evento "10 anos de Plantio Direto nos Campos Gerais do Paraná - Reflexos no Brasil", em 1987; o Seminário de Plantio Direto para o Cone Sul da América do Sul, em 1989; o Encontro Nacional de Milho e Sorgo, em 1992; o Simpósio Internacional de Plantio Direto em Sistemas Sustentáveis, em 1993.
A atenção da Fundação ABC à nova tecnologia e à solução dos problemas que surgiam, trouxe a necessidade de serem criadas áreas técnicas específicas: fertilidade dos solos, herbologia, pastagens e nutrição animal e economia rural.
Constata-se então, a existência de uma instituição de desenvolvimento e pesquisa aplicada, de âmbito particular. Os resultados de pesquisa agropecuária são constantemente repassados à agropecuária estadual e nacional.
A forma de atuação junto aos produtores e extensionistas, transforma-se num modelo que começa a ser seguido em outras regiões do estado e do país. Novas instituições congêneres são criadas.
Como complemento às suas atividades, devemos citar os Convênios e Contratos de Cooperação, que mantém com entidades governamentais e particulares, nacionais e estrangeiras, desde a indústria de insumos e máquinas às universidades.
Torna-se evidente assim, que a atuação da Fundação ABC tem, de uma ou outra maneira, exposto ao público já citado, a grandeza existente na agropecuária regional e estadual, trazendo pessoas e entidades até nós e levando o nome da região e do estado a outros locais do país e do exterior.
A Fundação ABC para Assistência e Divulgação Técnica Agropecuária, é uma instituição de caráter particular, sem fins lucrativos, mantida pela contribuição dos produtores e por parcerias em trabalhos de pesquisa com empresas privadas, além de serviços de análises de solos, bromatologia e sistema de informações geográficas.
Os trabalhos de pesquisa objetivam dar amparo tecnológico aos produtores rurais filiados às Cooperativas Agro-Pecuária Capal(Arapoti), Batavo e Castrolanda, que formam o Grupo ABC.As Cooperativas ABC se beneficiam das técnicas e sistemas desenvolvidos pela Fundação ABC garantindo uma atualização técnica constante dos 1.300 cooperados, abrangendo uma área de 250.000 hectares, além de uma bacia leiteira de 800.000 litros diários.
Os trabalhos de pesquisa agropecuária aplicada são realizados nos Campos Demonstrativos e Experimentais de Ponta Grossa, Castro, Tibagi e Arapoti no Paraná e Itaberá em São Paulo. Estas unidades atendem as necessidades regionais cujos resultados são extrapolados para as regiões de abrangências desses pólos.
A Fundação ABC realiza periodicamente cursos, simpósios, dias de campo de interesse dos produtores e técnicos com foco na propriedade agrícola preferencialmente com sistemas de produção que incluam a produção de grãos e leite.
Desde 1995 a entidade realiza projetos de pesquisa com empresas privadas, através de contratos de cooperação técnica. Mantém vínculos com empresas de pesquisa pública como IAPAR, UFPR, EMBRAPA, UEPG, UEL, UNIOESTE, ESALQ-USP, UFRGS, UPF, dentre outras.
Atualmente conta com uma equipe de pesquisadores nas áreas de fertilidade dos solos, fitotecnia, herbologia, fitopatologia, entomologia, mecanização agrícola, nutrição animale pastagens, agrometeorologia e SIG.
O escritório central esta localizado na Rodovia PR 151 km 288 no município de Castro PR. Neste mesmo local está instalado um LAB - Laboratório de Análises de: solos, plantas,bromatologia, fertilizantes e qualidade da água. Possui ainda um LIG - Laboratório de Informações Geográficas.